Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Mostrando postagens com marcador 7Letras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 7Letras. Mostrar todas as postagens

15/02/2019

# Dica de Leitura # 203

Título: Esquina da minha rua
Autor: Carlos Machado
Número de páginas: 88
Ano: 2018
Editora: 7 Letras

* Exemplar cedido em parceria com a Oasys Cultural.

Nesta novela de autoria de Carlos Machado vamos conhecer dois personagens com trajetórias de vida extremamente distintas que, no entanto, guardam as lembranças de um passado em comum: ambos são descendentes de famílias imigrantes.

De um lado, temos Pedro; um típico intelectual tentando se encontrar em sua invisibilidade, compondo novas canções e gravando seu último disco. Do outro, uma mulher anônima e de vida simples que lhe escreve cartas constantemente e lhe presenteia com uma amizade incondicional. Enquanto ele passeia por bares, estúdios e cafés, ela se lamenta por ter de cuidar da enfermidade do primo mais velho. Pedro tinha por volta de seus 40 anos bem vividos, era um homem "viajado". A amiga anônima, por sua vez, já atingia seus 70 e, em contrapartida, só conhecia a esquina de sua rua.


"As pessoas nesse lugar não falam a minha língua e eu tampouco a delas."

"A mesma canção tocada em diferentes momentos é uma canção diferente." 

Intercalando a ótica dos personagens a cada capítulo e tendo como pano de fundo uma Curitiba literária na qual Dalton Trevisan é a maior referência, nos deparamos com uma narrativa oscilante entre presente e passado, exaltando a importância de viver no aqui e agora, mas sem deixar as memórias e o saudosismo decorrente delas de lado.

Esse é o primeiro contato que tive com o estilo de escrita do autor e devo ressaltar que sua obra tem alta dose poética: é como se a poesia se mesclasse com a narrativa, expondo um texto regado de sensibilidade. Apesar de ter gostado da experiência, a obra me pareceu um pouco confusa no início, mas logo me adaptei aos acontecimentos. Afinal, enquanto a mulher anônima escrevia cartas ao seu amigo Pedro, este narrava seu dia a dia e os questionamentos que o atormentavam, ou seja, não havia uma comunicação direta entre eles e isso me incomodou um pouco. Fiquei esperando ansiosamente o desfecho e nutri algumas expectativas que, infelizmente, não foram concretizadas. Isso, no entanto, não tira o mérito do autor e a excelência da composição de sua obra. Portanto, indico-a para todos os leitores que quiserem se aventurar nesta mescla de gêneros literários e, quem sabe, se apaixonar pelos personagens dessa mesma esquina, mas que habitam universos completamente opostos.

"É sempre bom voltar quando a volta não significa estar novamente no mesmo lugar."

CLASSIFICAÇÃO: 

BOM!


13/11/2018

# Dica de Leitura # 188

Título: Vide Bula
Subtítulo: Farmacologia poética de três pílulas
Autora: Fabíola Rodrigues
Número de páginas: 104
Ano: 2018
Editora: 7 Letras

* Exemplar cedido em parceria com a Oasys Cultural.

Dividido em três partes (Onírica, Ocaso e Olvido), cada qual com sua devida intensidade e recomendação de dose diária, Vide bula é uma posologia para quem deseja se aventurar em sua própria mente e desafiar suas emoções da maneira mais intensa possível.

É um livro para ser lido sem pressa, a fim de absorver a essência de cada palavra deste remédio alternativo para os dias atuais que Fabíola Rodrigues nos apresenta. 

Abordando temas cotidianos e situações pelas quais todos nós estamos sujeitos a passar algum dia, nos deparamos com momentos particulares da autora, eternizados em seus versos; sejam seus altos e baixos, seus sentimentos mais secretos ou os riscos de um futuro incerto.

Quem me conhece sabe que sou extremamente apaixonada por poesia, pois este é o melhor meio de exorcizar de nossa alma os mais controversos sentimentos, possibilitando-nos, finalmente, respirar nossas próprias verdades, e foi exatamente isso que aconteceu com relação a este livro.


Vide Bula não é o primeiro contato que tenho com a escrita da Fabíola, pois em 2016 tive a oportunidade de conhecer Carta Náutica das Desimportâncias, também cedido em parceria com a Oasys Cultural, e seu estilo de escrita me chamou a atenção, mas desta vez me conquistou ainda mais. Apesar de conter algumas palavras rebuscadas, talvez de difícil compreensão para um leitor que não está habituado com o gênero, a essência da escrita da autora é apaixonante.

Entre os poemas, os quais mais se destacaram para mim foram: Abecedário, Chá da tarde, Chronos e Papel de seda. Segue um trecho:

Abecedário

"...porque eu me apego a todas as palavras. mesmo as prostituídas. mesmo as derrotadas. mesmo as que têm vícios. eu sou analfabeta de silêncios."

As páginas amareladas dão um toque especial à edição que, mesmo sendo simples, é de extrema qualidade. Indico a leitura para os fãs de poesia e para todos aqueles que desejam embarcar em uma viagem rumo à sua própria essência.

CLASSIFICAÇÃO: 

MUITO BOM!


10/08/2018

# Dica de Leitura # 168

Título: Fazendas Ásperas
Autora: Geny Vilas-Novas
Número de páginas: 216
Ano: 2017
Editora: 7Letras

* Exemplar cedido em parceria com a Oasys Cultural.

Através da contação extremamente detalhada de sua própria história, Geny Vilas-Novas esbarra com o passado e busca reconstruir a trajetória de sua família desde a época em que imigrantes portugueses se instalaram em terras brasileiras e aqui constituíram seus novos lares, até o memorável palco de sua infância em Sítio de Cima - MG, às margens de um riacho que corria para o Rio Doce.

Entre lágrimas e sorrisos, alegrias e tristezas, a autora vai dando cor e vida a diversos personagens; cada qual com sua devida importância no enredo e totalmente indispensáveis para a conclusão deste quebra-cabeça tão singular composto pelos membros da família Neves e Villas Novas.


A narrativa não-linear permite que vários assuntos sejam abordados, possibilitando ao leitor a viagem entre um passado conturbado e um presente alvo de críticas políticas, sociais e econômicas.

"Não sei apalpar, ou entro em um personagem e arrisco tudo, ou não toco no assunto. Vou contando a saga da família. Tudo é ficção, nada é oficial. São todos obscuros personagens." 

Paralelo a este enredo sentimental e nostálgico, a autora aborda a metalinguagem sobre o ato de escrever e toda a pesquisa necessária para a criação de uma obra autobiográfica, cultural e histórica quanto Fazendas Ásperas.

"Existe um momento em que, se eu não escrevesse, a vida seria insuportável. Escrever exige distanciamento, e quando a emoção chega, ela já aparece decantada."
"Se a escrita estiver muito bem comportada, desconfie. Sujeito, verbo e complemento. ‘Suje-a'. Faça inversões."
"Aqueles momentos, nas nossas vidas, eram tão raros, mas tão raros que mais pareciam sonhos."


Nesta obra que oscila entre presente e passado e mistura romance, ficção, memorialismo e prosa poética, Geny Vilas-Novas apresenta um estilo ímpar de escrita, levando o leitor muito além do enredo, ao proporcionar um encontro íntimo e pessoal com suas próprias raízes e memórias através da reflexão. Recomendo para todos aqueles que sabem apreciar uma boa escrita e que gostem de se surpreender com uma história tão bem desenvolvida quanto esta.

CLASSIFICAÇÃO: 

MUITO BOM!


31/03/2018

# Dica de Leitura # 140

Título: Poemas ao desabrigo
Autor: Raul de Taunay
Número de páginas: 112
Ano: 2016
Editora: 7Letras

* Exemplar cedido em parceria com a Oasys Cultural.

O livro é uma antologia de poemas cuja temática variada representa o amor, a saudade, a despedida, a dor, a maldade, a beleza e a autodescoberta. 

Com uma escrita marcada por traços essencialmente brasileiros, metricamente construídos e embalados por um ritmo constante, os poemas e sonetos apresentam ora intensidade, ora delicadeza. É assim que cada experiência de vida de Raul de Taunay se transforma em bagagem literária e reforça o convite para que o leitor reflita sobre como a poesia se faz presente em todos os momentos, inclusive, à mercê do desabrigo. 


Foi uma grata experiência conhecer essa obra e me deliciar com a sensibilidade e com a combinação de palavras feitas pelo autor. Alguns poemas, como Arado, Eterna...Idade, Poema de Natal, Quimera e Encantos se tornaram meus favoritos e, sem dúvida, fizeram a leitura valer a pena, pois proporcionaram questionamentos e reflexões sobre a vida de forma geral. Indico para os amantes de poesia e àqueles que ainda não deram uma chance à leitura do gênero, pois creio que esse seja um bom começo.


CLASSIFICAÇÃO: 

MUITO BOM!


17/01/2018

# Dica de Leitura # 128

Título: 32 Cartas
Autor: Aguinaldo Tadeu
Número de páginas: 132
Ano: 2017
Editora: 7Letras

* Exemplar cedido em parceria com o autor.

Sabe aquele momento em que precisamos desacelerar e relaxar um pouco? Deixar que a imaginação nos leve para outra realidade e, com ela apreender os ensinamentos e as reflexões que um simples conto pode proporcionar? Estou falando da obra mais recente do autor mineiro, Aguinaldo Tadeu, 32 Cartas, composta por 27 contos, que abrange temas diversos, tais como: amor, trabalho, política, animais, religião, amizade e ambição.

São textos leves, simples, uns mais intensos, outros menos poéticos. E nessa variedade de temas abordados de maneira extremamente cativante e criativa, nos deparamos com este exímio contador de histórias, que sabe nos prender à narrativa do início ao fim, garantindo ora boas risadas, ora lágrimas que insistem em cair tamanha sua sensibilidade em descrever os fatos. Esta é a terceira obra que leio do Aguinaldo e não tem como não admirar sua escrita. Fiquei lisonjeada quando ele me perguntou se eu tinha interesse em ler sua nova obra e me enviou um exemplar autografado.

Os personagens de todos os contos foram muito bem construídos, com destaque especial para André e Ana do primeiro conto que leva o mesmo nome do livro. Além deste, me chamou bastante a atenção a crítica social presente em De professor e a história de superação de Fofinho, um cachorro esquisito e desajeitado que consegue atingir seus objetivos e se tornar um grande cão caçador, ficando eternizado na memória do seu dono e de toda a cidadezinha.

"Certos sorrisos me fazem voar sem asas, cantar sem voz, dançar sem ritmo."

Em suma, a leitura é muito rápida e interessante, os contos são bem curtinhos e creio que o admirador de um bom livro não deixará passar a oportunidade de conhecer temas tão peculiares e enriquecedores.



*** Este livro foi o escolhido do mês de janeiro para cumprir o Desafio 12 Meses Literários 2018, cujo tema era literatura nacional.

CLASSIFICAÇÃO: 

MUITO BOM!


18/12/2016

# Dica de Leitura # 73

Título: Batom no dente
Autora: Maria Helena Mossé
Número de páginas: 108
Ano: 2016
Editora: 7Letras


* Livro cedido em parceria com a Oasys Cultural.

A obra reúne 21 contos de autoria da psicanalista Maria Helena Mossé. Em sua estreia como escritora, traz como temática de seus contos diferentes personagens, entre os quais destaca-se o público feminino, bem como seus dilemas, expectativas, desejos, casamentos fracassados e amores do passado...

Alguns desses contos estão interligados com os outros, como se fosse uma espécie de continuação do anterior, porém, sob nova perspectiva de outro personagem, e é nesse momento que o público masculino ganha voz no discurso. Entre eles, há aqueles que me chamaram mais a atenção, como por exemplo, As Meninas, Bobó de Camarão, Batom no Dente (que leva o título do livro) e The End.



A escrita dos contos não é apenas envolvente como também inteligente e reflexiva, possui as amarras necessárias para prender o leitor do início ao fim com as histórias bonitas e realistas de seus personagens. Indico a leitura!

CLASSIFICAÇÃO:


MUITO BOM!


28/05/2016

# Dica de Leitura # 48

Título: Carta náutica das desimportâncias
Autora: Fabíola Rodrigues
Número de páginas: 86
Ano: 2015
Editora: 7Letras

* Livro cedido em parceria com a Oasys Cultural.

O livro é composto por vários poemas, nos quais a autora compartilha com o leitor algumas de suas experiências de vida. Há poemas mais curtos, como de um parágrafo apenas, assim como os maiores de 2 a 3 páginas.

Achei a linguagem um tanto rebuscada e de difícil compreensão em um primeiro momento, para leitores que não estão habituados a esse estilo de escrita. No entanto, para mim, esse tem sido um fator positivo, pois a obra apresenta grandes semelhanças em relação às principais características das escolas literárias brasileiras, tais como, a riqueza de recursos linguísticos e o jogo de palavras que encheram de significado a poesia de Fabíola. E como apaixonada por Literatura Brasileira Clássica, o estilo de escrita da autora me cativou de um jeito diferente.


A leitura é bem rápida e fluida, recomendo aos fãs de poesia, apesar de a temática dos poemas em geral não ter me chamado tanto a atenção, pois o foco principal da autora está em suas vivências africanas, entre os anos de 2011 e 2015.

CLASSIFICAÇÃO:


BOM!