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04/07/2018

# Dica de Leitura # 163

Título: Tatu bom de bola
Autor: Luís Pimentel
Ilustradora: Tatiana Paiva
Número de páginas: 40
Ano: 2018
Editora: Melhoramentos

* Exemplar cedido em parceria com a editora.

Em divertidos versos rimados, Luís Pimentel traz aos leitores a história de Artur, um tatu-bola apaixonado por futebol e que sonha em ser o próximo craque da seleção brasileira. Após ganhar vida pelos traços bem delineados de Tatiana Paiva, podemos acompanhá-lo em sua trajetória dentro do campo, onde ele se sente realizado apitando seu próprio jogo, narrando seus passes, dribles e gols, além de torcer para si mesmo, claro. Cada vez que ele entra em campo, a galera vai ao delírio!


Não é à toa que ele foi escolhido como mascote da Copa anterior. Mas será que o tatuzinho aprovou esse título?



"Artur tem nome de craque
E não é de araque!
Tem jeito de quem faz bem feito
Que sabe matar no peito
Para alegrar o torcedor.
Com certeza esse gabola
Com artes de tatu-bola
Vai encantar o leitor!"


Através de uma leitura fácil, rápida e gostosa, Tatu bom de bola nos faz refletir sobre a persistência, a esperança e o sonho que habita cada um de nós. Uma obra perfeita para as crianças, mas também essencial aos adultos que, muitas vezes, deixam seu sonho morrer em função das dificuldades enfrentadas na vida.



Em clima de Copa do Mundo, embarque você também no mundo do futebol ao lado desse tatuzinho divertido e sonhador. Viaje pela imaginação, mas sem tirar os pés do chão! E lembre-se que a realidade, mesmo que angustiante, pode sempre ser fonte de inspiração!

CLASSIFICAÇÃO: 

ÓTIMO!


29/06/2018

# Dica de Leitura # 162

Título: Insígnias
Autora: Karol Blatt
Número de páginas: 374
Ano: 2017
Editora: Bezz

* Exemplar cedido em parceria com a editora.

Hadassa Belshoff é uma jovem judia que vê a vida se transformar em um tormento assim que sua casa é invadida por soldados alemães no auge da Segunda Guerra Mundial.

O objetivo? O ódio que os nazistas nutriam pelo povo judeu, o qual sofria atrocidades em prol da "purificação da raça humana". Além de serem humilhados, castigados e maltratados, estavam destinados aos campos de concentração, onde seriam, por fim, exterminados. E naquela manhã em que a família Belshoff foi separada, não seria diferente. 

O que Hadassa sequer poderia imaginar é que seu ato de coragem e de determinação ao defender sua irmã mais nova, Lotti, de um possível estupro, fosse capaz de atrair a atenção do insensível oficial Ahren Müller, que decide levá-la como prisioneira para trabalhar em sua casa na Polônia. Foi assim que ela perdeu o contato com a irmã e nunca mais ouviu falar em seus pais. Porém, o impacto de ser arrancada do seio familiar era apenas o começo de uma trajetória regada por muita dor, sofrimento e tristeza.

"Chorei em silêncio pela separação da minha família e por estar em um lugar distante à mercê de qualquer crueldade. Chorei por não saber o futuro que teria e se teria um futuro no meio de tudo aquilo. Chorei até que não restasse nada além da dor oca dentro de mim."

Tratada com hostilidade por um homem adepto à uma ideologia desumana, ela encontrará um pouco de conforto na amizade com a pequena Lindie, a irmã mais nova de Müller que, em sua inocência de criança, não vê motivos para tratá-la de maneira diferente.

Mas, aos poucos, algumas mudanças sutis começam a acontecer na relação entre a prisioneira judia e seu algoz nazista. O olhar de desprezo, vez ou outra era substituído pelo de curiosidade, o toque que antes era doloroso, se tornava gradativamente mais suave, e as palavras duras iam ficando de lado, despertando em ambos sentimentos nunca antes sentidos.

"A agonia parecia crescer dentro de mim com tanta força que impedia meus pulmões de realizar seu trabalho normalmente. E, naquele momento, eu desejei o próprio fim da minha existência. Era melhor estar morta do que possivelmente apaixonada por Ahren Müller."

Vítima de um dos momentos mais marcantes e cruéis da história da humanidade, Hadassa vive um impasse ao se sentir dividida entre a razão e a emoção. Como poderia nutrir algum tipo de sentimento por um homem responsável por exterminar o seu povo?



A fim de preservar os seus princípios, porém contrariando toda e qualquer lógica, ela age por impulso e salva a vida de Ahren de uma emboscada. E esse fator foi determinante para que o oficial alemão questionasse seus conceitos e percebesse o quão cruel eram os ideais nazistas que o regiam.

"Ahren teria de conviver com aquele tormento pelo resto de seus dias. Ele sempre sofreria por ter sido quem foi. Mas eu estaria do lado dele para lembrá-lo da pessoa que ele havia se tornado."

Eis que surge em meio à guerra o sentimento mais lindo que pode existir: o amor. Duas pessoas marcadas pelo ódio entre seus povos, mas que estão dispostas a lutar até o fim e pagar o preço que for para viver esta paixão proibida. Mas será que um grande amor pode sobreviver a uma grande guerra?

"Ahren e eu éramos uma união imprevisível e instável, não por nossos sentimentos em relação um ao outro, porque isso já estava solidificado dentro de nós, mas pela época e a condição em que vivíamos. E, no entanto, ali estávamos nós como dois bobos apaixonados, vivendo um romance complicado. Romeu e Julieta com certeza nos invejariam pela situação dramática."

Insígnias é um livro inquietante, capaz de deixar o leitor com os nervos à flor da pele e despertar os sentimentos mais contraditórios possíveis. Com uma temática que tem como pano de fundo um dos períodos mais caóticos da humanidade, somos apresentados a dois personagens que encontram-se em lados distintos, mas que estão dispostos a enfrentar tudo em nome do amor. Em seu enredo, Karol Blatt consegue desenvolver com perfeição o cenário, o enredo e os personagens, nos deixando extasiados e amedrontados diante da ameaça sufocante da morte.

"Às vezes, tudo que você pode fazer simplesmente não é o suficiente. Algumas coisas estão acima da nossa capacidade de interferência ou escolha. A morte, o amor, a dor que se segue à perda não são acontecimentos aos quais podemos fugir. Todos nós teremos de encará-los, cedo ou tarde."

Hadassa é o tipo de mulher forte que não sucumbe diante do mal. Mesmo com o coração em pedaços, ela tem fé e coragem para lutar e viver um dia de cada vez. Tendo o amor como ponto de partida em sua busca por sobrevivência, a perseverança e as lutas internas da personagem no decorrer do livro servem de aprendizado para nós e, sem dúvida, a desconstrução de conceitos pré-estabelecidos é o ponto alto da narrativa, pois nos leva à diversas conclusões sobre nossa própria vida, inclusive a de que, por mais adversa e terrível que seja a situação em que nos encontramos, se semearmos amor, aprenderemos a enxergar a possibilidade de amar com outros olhos. Apaixonante do início ao fim, Insígnias é capaz de mostrar o outro lado da moeda e a vida sob outra ótica.

Posso dizer que fazia tempo que eu não tinha me emocionado tanto com uma narrativa, foi uma experiência totalmente gratificante e surpreendente. Com uma capa maravilhosa e um significado profundo envolvendo o título, essa leitura é obrigatória para os fãs de romance histórico e da literatura nacional.

*** Este livro foi o escolhido do mês de junho para cumprir o Desafio 12 Meses Literários 2018, cujo tema era meu gênero literário favorito.

CLASSIFICAÇÃO: 


ÓTIMO


28/06/2018

# Dica de Leitura # 161

Título: Rosto Bonito
Autora: Sable Hunter
Número de páginas: 154
Ano: 2015
Editora: Bezz

* Exemplar cedido em parceria com a editora.

Cody é uma mulher linda, mas que traz no corpo e na alma as cicatrizes e marcas de um abuso que sofreu no passado. Após a morte de seu pai, sua mãe decide se casar novamente, porém o filho do padrasto se mostra obcecado por ela, e esse ciúme doentio a deixaria marcada no rosto para sempre...

Desde então, a jovem mudou o conceito de beleza que tinha em relação a si mesma, tornando-se insegura e retraída. A dor pela "beleza perdida" a cegava e fazia com que se escondesse de tudo e de todos. Sua única válvula de escape era a internet, onde podia ser quem quisesse. No entanto, ela nunca esperou que se apaixonaria perdidamente e tampouco que mentiria sobre sua identidade.

No mundo virtual, Cody agora é Sage, uma mulher linda e sensual que mantém contato há dois anos com um charmoso carpinteiro através de um chat online. Entre declarações de amor e conversas quentes, o apaixonado Hunter, cansado de se satisfazer da presença da mulher de sua vida apenas por mensagens e telefonemas, decide fazer uma surpresa e viajar para a cidade dela.


Cody entra em pânico com a notícia, pois se sentia confortável em viver no anonimato pelo simples fato de ser desejada e amada por Hunter. Munida da certeza de que será rejeitada, ela consegue convencê-lo que somente após o terceiro baile de máscaras que está acontecendo em função do carnaval, o Mardi Gras, é que ela vai lhe revelar o seu rosto.

Qual será a reação de Hunter, este personagem tão decidido a buscar seus objetivos, quando descobrir que Sage não é quem diz ser? Por quanto tempo a mentira é capaz de existir?

"A beleza exterior não é tudo o que atrai alguns homens. Durante o tempo que vocês estiveram juntos, ele viu o seu coração, tocou o seu espírito e se conectou com a sua alma."

Confesso que quando vi a capa do livro, imaginei que se tratasse de um romance de época. Porém, mesmo não seguindo essa linha, consegui me surpreender positivamente com o enredo e tirar dele grandes lições, e é isso o que mais me encanta em uma obra literária: sua capacidade de me fazer refletir.

Rosto Bonito fala sobre recomeços, aceitação e superação. Através de uma narrativa ágil, a autora desenvolve o enredo e os personagens de forma gradativa e cativante, abordando temas importantíssimos como a violência contra a mulher, a falta de amor próprio, os relacionamentos virtuais e as mentiras que os envolvem. Apesar de o desfecho ter sido um pouco corrido e de que algumas partes poderiam ter sido mais bem exploradas, a mensagem que Sable Hunter deixou ao leitor ao final do livro é a de que devemos sempre tentar enxergar além da imagem, pois só assim teremos a percepção da verdadeira essência de cada um.

CLASSIFICAÇÃO: 

MUITO BOM!


23/06/2018

# Dica de Leitura # 160

Título: Brilho eterno
Autora: Edna Nunes
Número de páginas: 299
Ano: 2018
Editora: Independente

* Exemplar cedido em parceria com a autora.

Rafaela é uma jovem de 27 anos que abdicou sua profissão em função do casamento com o possessivo e ciumento Marco. Submissa a essa relação doentia, a jovem vivia sem maiores perspectivas, pelo menos até ser atraída pela curiosidade e descobrir quem vivia no casarão antigo de sua rua. É lá que ela conhece o seu Zé, um senhor de idade avançada que vive na companhia de seu cachorro, um Golden Retriever chamado Bob. A afinidade entre os três é imediata e começam a desenvolver uma relação de amizade repleta de aprendizados.

O que ela não esperava era que Marco seria totalmente contra a sua amizade com  aquele senhor simples. E a decepção é evidente no momento em que o seu Zé passa mal e é hospitalizado. Rafaela se vê sozinha e sem o apoio do marido, que negou-se a mover um dedo sequer para ajudar ao próximo.

"Eu seria a pessoa mais feliz do mundo se pudesse conviver com um amigo ao meu lado. Alguém que aceitasse as minhas escolhas e torcesse por mim e por minhas realizações."

E é entre visitas constantes ao hospital que ela acaba conhecendo Daniel, o jovem médico encarregado de cuidar do seu Zé. A atração que Rafaela sente por ele é quase que instantânea, porém o que de fato fez o seu coração bater mais forte, foi o fato de que, diferente de Marco, Daniel é gentil, doce e altruísta.

Cansada do seu relacionamento, ela decide mudar de vida e seguir os conselhos do seu vôzinho, maneira carinhosa pela qual chamava seu Zé.

"Não adianta chorar pelo leite derramado. Tudo tem conserto, mas quanto mais o tempo passa, mais difíceis as coisas se tornam."


“Todos nós temos a nossa própria luz. Não podemos viver à sombra dos outros.”

Agora, além de precisar enfrentar o marido, terá que aprender a lidar com outras situações adversas, entre elas, dar uma nova chance ao amor, reconquistar sua independência, enfrentar seus medos e a si mesma.

"Temos que aguentar as lagartas se quisermos ter as borboletas. Tudo tem dois lados, o bom e o ruim."

"Seu Zé sempre me ensinou que todas as coisas ruins que acontecem em nossas vidas têm um propósito e nos trazem algo de bom. 'Para toda a dor, há uma lição de amor', ele dizia."

A história de Rafaela e Daniel é uma das histórias de amor mais lindas que já vi, e prova que o amor é capaz de vencer obstáculos e prevalecer sempre.

A escrita é leve, intensa e regada de muito amor e sabedoria. Seu Zé foi o divisor de águas na vida de Rafaela, pois no início da narrativa, ela era bastante submissa, e no decorrer das páginas vamos percebendo o seu amadurecimento. A autora aborda temáticas como o relacionamento abusivo, o amor, a amizade, os valores, a efemeridade da vida e a importância de não deixar a felicidade para depois. 

Seu Zé sempre tem um conselho para dar, não apenas para a protagonista, mas para nós, leitores, também. É o tipo de personagem inspirador que conquista a nossa admiração já nas primeiras páginas. E o mais incrível é que ele é uma singela homenagem da autora ao homem que tanto lhe ensinou e inspirou: seu pai. 

Brilho eterno foi uma mistura de sensações, e a maneira como a autora conduziu a narrativa foi surpreendente e faz com que belíssimas mensagens cheguem ao coração do leitor. Sou apaixonada por histórias que, de alguma maneira, me fazem pensar e refletir e, sem dúvida, cada página lida valeu muito a pena. Sabe aquela sensação de ler o desfecho e ter vontade de ler tudo de novo? Você não vai conseguir largar este romance emocionante até chegar à última página, garanto! Ah, e não esqueça de providenciar uma caixinha de lenços. Você vai precisar.

“Juro, pelo número de estrelas que existem no céu, que serei sempre uma luz em sua vida! Seu brilho eterno!”

CLASSIFICAÇÃO: 

ÓTIMO!


22/06/2018

# Inscrições abertas para as três novas antologias da Editora Illuminare


A Editora Illuminare e o selo Antologias Brasileiras convidam para uma seletiva de contos. 



O Crime

O livro será composto por CAPÍTULOS. No PRIMEIRO capítulo haverá a descrição de um crime brutal e cruel cometido em um local específico. O capítulo inicial finda descrevendo testemunhas chamando a polícia. Do capítulo 2 em diante cada capítulo será um CONTO de um autor, que descreverá os acontecimentos a partir da chegada da polícia. Cada autor deve criar sua história – versão - para o crime cometido, criando personagens como assassinos, detetives, serial killers, mostrando a solução ou não do crime. Podem ocorrer outros crimes iguais, a escolha dos autores. O mais importante é se atentar ao enredo, ao crime do capítulo inicial e seus detalhes e seguir com criatividade e originalidade. Devem ser contos policiais, para isso o autor deve se atentar as peculiaridades desse gênero literário.

Histórias Históricas


Para esse livro serão aceitos contos. A temática dessa antologia são contos sobre personagens históricos reais da cultura, literatura, música e afins, não apenas a nível nacional, 
mas também a nível internacional. 

IMPORTANTE: deve ser escrito em nota de rodapé, após o título do conto, a que personagem da historia mundial o conto se refere.

DEEP WEB



Para esse livro serão aceitos contos sobre a chamada Deep Web: o lado sinistro da internet - que fala sobre coisas sinistra que se encontra nas camadas mais baixas das pesquisas online. Podem ser contos de terror, horror, suspense ou drama. Apenas esses gêneros serão aceitos. Quanto mais impactante e criativa for a história e seu final, mais qualidade terá o conto.

Essa é a chance de realizar seu sonho! Leia o edital e não perca mais tempo! 

Beijos e boa sorte!


21/06/2018

# Dica de Leitura # 159

Título: A última carta
Autora: Carla Laurentino
Número de páginas: 316
Ano: 2016
Editora: Bezz (selo Leque Rosa)

* Exemplar cedido em parceria com a editora.

O ano de 1912 marca o início da temporada londrina do século XIX e, consequentemente, o início da vida adulta de muitas jovens da aristocracia inglesa, acompanhado pela inauguração do navio mais espetacular e seguro construído pelo homem: o Titanic. Enquanto os homens estão eufóricos e deslumbrados com tamanho poderio naval, as mulheres estão ansiosas e preocupadas em encontrar um bom partido que garanta sua ascensão social.

Quem não se mostra nada animada com essa "caça desenfreada" por um marido, é Violet Bernadth, uma jovem de 18 anos que, assim como suas amigas, Joana e Cecília, está prestes a ser apresentada à sociedade londrina. Porém, casar não está entre os tópicos mais importantes da vida desta dama cheia de si que anseia por outros princípios e objetivos. Além disso, com a aproximação do casamento, o seu maior segredo poderia ser revelado.

Desde muito pequena, ela descobriu que era diferente: suas mãos eram capazes de, apenas com um toque, enxergar o passado ou ter acesso às memórias impregnadas em um objeto, e se esse estranho dom fosse revelado, seria muito difícil para ela se explicar diante da sociedade.

"Não sei o que tenho, nem por que acontece, apenas sinto. Sou assim desde que me lembro. No início, achei que à medida que eu crescesse, essa estranha habilidade desapareceria, mas, ao contrário do que pensei, as coisas só pioraram. Ou melhoraram? Não sei dizer."

Prestes a se comprometer com o belíssimo, porém, sarcástico e misterioso, Thomas Wycomb, filho de um engenheiro renomado, por quem nutriu certa antipatia logo à primeira vista, Violet se vê envolvida em um caso perigoso e intrigante: crianças estão aparecendo mortas, misteriosamente. E quanto mais ela investiga, mais teme que, de algum modo, o nome de sua família esteja envolvido no caso. Para completar, Thomas também esconde um segredo que deixou cicatrizes profundas em sua história, com as quais ele foi obrigado a conviver, apesar da dor. Agora, mesmo contragosto, os dois serão obrigados a unir forças e tentar desvendar os mistérios que os rodeiam. E, entre tantas descobertas desagradáveis, eles encontram o amor.


Com um romance de época intrigante, incomum, bem estruturado, cheio de suspense e uma pitada de sobrenatural, que tem como pano de fundo o trágico naufrágio do Titanic, Carla Laurentino desenvolve, com maestria, um enredo permeado por questões extremamente polêmicas e delicadas e critica todo o glamour da sociedade da época, marcada pelo puritanismo, porém, capaz de mascarar mentiras, assassinatos e um crime hediondo com o qual todos compactuam e ninguém faz nada para impedir. No decorrer dos capítulos é possível que o leitor vá juntando pistas para tentar desvendar o mistério que envolve o passado da família de Violet e descobrir qual é a possível ligação com as crianças desaparecidas.

Todos os personagens são bem elaborados, assim como o cenário e toda questão histórica envolvida. Sou apaixonada por narrativas que, de alguma maneira, me fazem pensar e refletir sobre as atitudes e suas consequências, além é claro, daquelas que me surpreendem de maneira tão positiva quanto A última carta foi capaz de fazer. A leitura é extremamente rápida, os capítulos são curtos e a diagramação, assim como a revisão e a capa, estão extremamente caprichadas e delicadas. Recomendadíssimo!

CLASSIFICAÇÃO: 



ÓTIMO!




20/06/2018

# Dica de Leitura # 158

Título: O bosque de faias
Autora: Amanda Bonatti
Número de páginas: 415
Ano: 2017
Editora: The Books

* E-book cedido em parceria com a editora.

O romance se passa no século XIX, época em que os pais firmavam acordos nupciais baseados no interesse e na ascensão social de sua família. Seguindo a tradição, era comum que as filhas mais velhas se casassem primeiro, para que, posteriormente, as demais fossem desposadas. Essa poderia ser apenas mais uma história comum, entre os membros da burguesia da sociedade francesa, de uma moça que não se casou por amor, e sim por obrigação. O problema é que não se trata de uma história comum, pelo contrário...

Mesmo após o baile de debutante no qual foi apresentada à sociedade, Joana, a filha mais velha de Frederico Hour, rejeita todos os seus pretendentes, atitude que não era bem aceita e lhe rendeu o título de "rebelde", afinal, a jovem estava mais interessada em livros que, na época, eram proibidos para mulheres, do que nas futilidades de uma sociedade egoísta e autoritária, na qual praticamente todas as mulheres se deixavam levar pelas ilusões e devaneios românticos.

Decidida a passar um tempo longe de tudo e de todos, ela vai para o seu tão amado bosque de faias, localizado próximo à sua casa.

"O bosque de faias não era o local mais apropriado para uma jovem dama frequentar, especialmente sozinha. Joana sabia disso, ainda mais após constantes invasões e batalhas que antecederam a restauração do rei ao trono. Porém não conhecia outro lugar na redondeza onde pudesse ficar sozinha e ler sem ser incomodada."

Joana estava concentrada em sua leitura, quando percebe a presença de um homem à cavalo, bastante inconveniente e intrometido, diga-se de passagem.

"- Quanta antipatia para uma jovem tão formosa - ele resmungou para si mesmo em tom baixo, no entanto, Joana pôde ouvir. - Pois bem, se é assim... também não desejo conhecer uma moça tão irritada quanto a senhorita. Adeus! Mas antes deixe-me olhá-la melhor, para poder evitá-la caso a encontre novamente."

Alguns dias após o ocorrido, o vilarejo está em polvorosa com a notícia da chegada do Lorde Phillip Motier, dono de uma das mais ricas propriedades da região que, decide se mudar para a França, depois de herdar a fortuna de seu tio. Com o intuito de organizar um baile a fim de se apresentar à sociedade, ele pede que seu amigo, Alexandre Franz, se encarregue de entregar os convites pessoalmente para os moradores do vilarejo.

Porém, os Hour o confundem com o Lorde, e esse grande mal entendido é o estopim para colocá-lo frente a frente com a moça "desbocada" que conheceu no bosque de faias. E é a fim de conhecê-la melhor, que Alexandre decide sustentar a mentira por um tempo. Mas ele sequer imaginava que quando Phillip, de fato, viesse para o vilarejo, a mentira que contara viria à tona e traria consequências inimagináveis.


Com personagens apaixonantes, uma trama bem amarrada, envolvente e cheia de intrigas, somos apresentados, com detalhes, aos  costumes e tradições da sociedade francesa do ano de 1816, reforçando também aspectos históricos da época. Esse foi o meu primeiro contato com a escrita da autora e posso dizer que me surpreendi de maneira extremamente agradável. Amanda soube desenvolver muito bem não só os protagonistas, mas também todos os coadjuvantes, nos dando a sensação de estarmos vivenciando o dia a dia ao lado deles.

Me identifiquei muito com Joana, por ela ser uma protagonista ímpar, confiante e dona de si, e mesmo com uma sociedade lhe ditando tantas regras, ainda consegue seguir seu coração, mas sem tirar os pés do chão.

Recomendo o livro para todos os apaixonados por romances de época ou aqueles que  desejam se aventurar por um novo gênero literário. Garanto que terão seus corações aquecidos por este romance viciante e não conseguirão largá-lo até chegar à última página!

CLASSIFICAÇÃO: 

ÓTIMO!