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09/09/2017

# Dica de Leitura # 114

Título: Desafinados no coro dos contentes
Autor: Aguinaldo Tadeu
Número de páginas: 172
Ano: 2014
Editora: Giostri

* Livro cedido em parceria com a Oasys Cultural.

Narrado sob a ótica intercalada de dois personagens aparentemente muito diferentes, porém, semelhantes em suas essências, sonhos e ideais, Desafinados no coro dos contentes é uma obra tipicamente brasileira, na qual é ressaltada a importância de acreditar nos sonhos que se tem.

Arthur é um funcionário público que mora em uma quitinete na capital federal e tem três grandes paixões: a leitura, o seu querido Náutico e as mulheres. Apesar de ter optado por uma vida só, são elas que lhe inspiram a compor seus contos, crônicas e poemas no longo trajeto de metrô que percorre todo santo dia de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Aspirante a escritor, o pobre Arthur passa a maior parte do seu tempo carimbando papéis em sua insatisfeita profissão na repartição.

Joaquim Venâncio, ou melhor, Kim Kim, é um artista de rua sem papas na língua e que vende sua arte através da informação. Pode parecer contraditório, mas ele não é um mendigo comum. O ex-garçom possui casa própria, e optou pela vida nas ruas por se sentir mais livre. Inteligente, perspicaz, antenado e carregado de bom humor, leva aos transeuntes do centro da capital federal notícias políticas e críticas sociais.

Vendo-se ocasionalmente entre um horário de almoço e outro, a amizade entre Arthur e Kim Kim vai crescendo a cada dia à medida que percebem que têm mais em comum do que imaginavam. Mas é durante uma movimentação contra o governo na Esplanada dos Ministérios que, não apenas os caminhos do país seguiriam rumos diferentes, mas também os desses dois desafinados no coro dos contentes.
"Quero ter uma vida comum, mas quero também o direito de ser incomum. Mas não é fácil ser diferente. Todos te querem um ser comum. Todos te querem igual a grande massa dos comuns. O diferente incomoda os acomodados. Acho que sou um desafinado no coro dos contentes."
"As pessoas ficam eternamente esperando por algo, mas não fazem nada para mudar suas vidas, pois são acomodadas e têm muito medo. Elas têm medo de seus próprios sonhos e por isso eles ficam guardados em gavetas bem trancadas." 

"O livro é para mim uma marca de distinção entre a pessoa comum e aquela que sonha".
"Uma pessoa que lê sempre me desperta interesse. Um livro é um sinal de reconhecimento entre almas irmãs."

Eu me identifiquei totalmente com os personagens e, confesso que jamais esperei que um livro com menos de duzentas páginas fosse tão bem escrito a ponto de deixar meus olhos inundados no desfecho. Em uma sociedade tão cheia de pressa, as pessoas têm deixado seus sonhos de lado e preferido se acomodar achando que a felicidade que tanto almejam cai do céu. Eu diria que, o texto além de ser muito bem escrito, é também, uma motivação para aquela faísca de esperança que carregamos dentro do peito de que as coisas poderiam ser de outro jeito e de que os nossos sonhos podem sim, se tornar realidade.


"Seus sonhos têm a medida de sua coragem."
"Valeu a pena ter esperança no arco-íris. Eu encontrei meu pote de ouro."

Até o momento, esse foi o melhor livro lido do segundo semestre e, sem dúvida, entrou para a lista dos meus favoritos.

CLASSIFICAÇÃO:


ÓTIMO!


05/07/2017

# Dica de Leitura # 106

Título: A Voz Dourada das Cidades
Autor: Aguinaldo Tadeu
Número de páginas: 32
Ano: 2017
Editora: Giostri

* Exemplar cedido em parceria com a Oasys Cultural

Um menino apaixonado por livros de heróis, guerreiros, reis e rainhas mergulha em uma fantástica aventura no mundo dos sonhos e acorda no lugar onde se passa a história de seu livro: uma bela cidade de obras de arte, de ruas estreitas e de calçada de pedra, de cavalos e pessoas nas ruas, sem o tumulto e barulho dos grandes centros urbanos. Ali, em São João Del Rei, Minas Gerais, o menino começa a ouvir um som que até então lhe era desconhecido...

Nesse momento, surge um homem com cabelos longos e brancos, trajado de preto e que parece pertencer a outro tempo, outra realidade. Se apresenta ao menino sonhador como pároco local e o leva até o lugar de onde vem aquele som: blém... blém... blém...

O menino não sabia o que era um sino. Nunca tinha visto e nem ouvido o som de um. O padre, então, lhe explica a tradição que envolve os sinos das igrejas:
Os sinos convidam para as Missas e para as Novenas. Eles avisam das mortes e comunicam os batizados. Os sinos lembram as festas dos santos, a Quaresma e a Semana Santa. Eles comunicam nascimentos e anunciam a Ave Maria. Os sinos avisam dos mais importantes acontecimentos de uma comunidade.
E nunca se esqueça, meu filho: quando os sinos tocam, Deus, que está no céu, ouve as nossas preces com mais atenção.
Em seguida, o menino é levado para conhecer o interior da Matriz de Nossa Senhora do Pilar e o padre lhe explica mais sobre a cultura, a arte e a história do lugar, ressaltando a importância de se cultivar os patrimônios históricos e reforçando a ideia de manter-se atento às sutilezas ao seu redor.

O livro possui poucas páginas, mas é possível captar a essência que o autor deseja transmitir: as crianças de hoje, principalmente as de cidade grande, estão mais habituadas ao barulho de um trânsito tumultuado, à televisão, à internet e ao mundo moderno que as cerca, e não dão a devida importância àquilo que é simples e de graça; aos sons e às belezas do mundo. Outro aspecto que me chamou a atenção, foi a conscientização a respeito da preservação dos patrimônios históricos e, também, ao fato de o menino ser um leitor assíduo e preferir o mundo da imaginação, onde ele poderia ser o personagem que quisesse, quando e como quisesse. O perfil do garoto se assemelha muito com o meu quando eu tinha mais ou menos essa idade, por isso me identifiquei tanto com ele. Hoje, infelizmente, o número de crianças leitoras vêm diminuindo, os livros e a imaginação têm sido postos de lado, para dar prioridade aos tablets, smartphones e computadores, os quais mantêm as crianças alienadas diante de uma tela, sem perceber que o mais belo que a vida tem a oferecer está ao seu redor, nas pequenas coisas. É por essas e outras razões que amo a literatura infanto-juvenil e a indico para todas as idades.

CLASSIFICAÇÃO:


ÓTIMO!