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23/09/2019

# Dica de Leitura # 207

Título: Telefone sem fio
Autora: Vera Helena Rossi
Número de páginas: 216
Ano: 2014
Editora: Patuá

* Exemplar cedido em parceria com a Oasys Cultural.

Em uma viagem de carro para o interior de São Paulo ao lado do marido, a jovem jornalista Alma Pontes relembra as aventuras e desventuras de sua vida, tentando manter vivas as suas memórias através de anotações feitas em um caderno. É assim que nos conta como as coisas chegaram ao ponto de partida do livro: o casal está indo para um enterro e a protagonista sente que pode, de alguma maneira, ter contribuído para que isso acontecesse.

"Particularmente hoje guardo em mim uma porção horrorizada e desconfortável de mim mesma." 
"Continuo a me buscar no reflexo do rosto. Em que me transformei?" 

Nesse encontro com o passado, podemos acompanhá-la da tenra infância, divertindo-se ao brincar de telefone sem fio e distorcendo a mensagem inicial para causar gargalhadas entre os amigos, à idade adulta, quando a mentirinha da antiga brincadeira acaba se tornando mais comum do que ela seria capaz de imaginar, principalmente quando acobertava o irmão, Mauro, com quem tinha uma afinidade singular, diferente do que acontecia com a mãe. 

"Cambaleou pelo corredor até sumir da vista da irmã, que também se perguntava por que tinha que ser daquele jeito. Os dois irmãos sempre sozinhos. Sempre juntos no final."

Com direito a interrupções para uma conversa direta com o leitor, a Alma que encontramos é uma mulher perdida em uma atmosfera de dor, angústia e solidão, tentando narrar sua própria verdade diante de um trágico desfecho; enquanto tentava guiar seu caminho, acabou se tornando apenas um fantoche de sua própria vida.

"O 'se' continha fortes efeitos colaterais: o gosto amargo da irreversibilidade do tempo."
"Ocorre que nunca temos um plano B. Sempre pensamos em um plano B, fazemos planos para o plano B, mas quando realmente precisamos, nunca temos um."

Tendo como pano de fundo os principais acontecimentos políticos entre 1990 e 2010, tais como a morte de PC Farias, o plebiscito sobre a forma e o sistema de governo do país, o confisco da poupança durante o governo Collor, o apagão durante o mandato de FHC e a eleição de Lula à presidência do país, o enredo peculiar de Vera Helena Rossi acaba se aproximando ainda mais do leitor ao narrar as memórias de uma jornalista que, na maioria das vezes, além de não se sentir completa com sua profissão, descobria-se constantemente perdida em divagações em um mundo ao qual parecia não se encaixar e onde sentia dificuldade em distinguir a realidade da ficção.

Apesar de ter um desfecho bastante previsível e de não ter conseguido me conectar à história tanto quanto eu gostaria, tenho que parabenizar a autora por dar identidade ímpar ao seu texto, uma vez que aparenta ter um estilo simples de escrita, porém esconde nas entrelinhas e nos pequenos detalhes o sentido e as características de seu enredo. Sendo assim, aconselho vocês a lerem o livro em dias seguidos para evitar que se percam nos acontecimentos, pois a transição de cada capítulo é feita quando Alma conversa diretamente com o leitor, porém, ao voltar a escrever suas memórias, nem sempre volta ao ponto de onde parou; às vezes há um salto de alguns anos, e por isso é importante manter ao máximo a atenção na leitura.

Após finalizar esse livro, permiti-me a prerrogativa da dúvida e, por isso, lhe questiono, meu querido leitor: e você? Assim como Alma, já tentou alguma vez narrar suas próprias verdades?

CLASSIFICAÇÃO:

BOM!



3 comentários :

  1. eu vi a capa desse livro por ai e achei ela muito enigmática e a paleta de cores dela muito bonita, mas não imaginei que se tratava disso.
    Interessante isso de ela revisitar o passado porque acha que tem a ver com a morte de alguém, fiquei curiosa agora, amei a dica!

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  2. A pergunta no final foi exatamente o que estava pensando enquanto lia seu post, porque na verdade ás vezes sentimos receios da verdade mesmo que seja para nós mesmo, eu amaria ler esse livro,senti leveza na escrita.

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  3. Oi, Milena!
    Eu não o livro, mas me interessei primeiro pela capa, que achei muito bonita. Mas lendo a sinopse e a sua resenha, mesmo você não tendo gostado tanto, eu fiquei curiosa com a história.
    Muito obrigada pela dica.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2019/09/resenha-fenix-ilha-livro-1.html

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